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FIOFÓ DO MUNDO

Te falo, sanguinolento:
Os anjos de pés oficiais,
Anjos que escrevem com sangue
Ante o testemunho de estátuas
Com armas de venalidade e corrupção,
Gritam as mães com panelas
Nas cozinhas de primeira grandeza
Da sugada Brasília de Alões,
Nas favelas virtuais do Ku do Mundo,
Nos mocambos chilenos,
Nos beirais das ruínas, em Somenos,
Bairro de Brazuca, adrede maquiado
Entre culhões/cuecas e consciências nos bolsos.
E compram almas sem pele básica nos shoppings/currais eleitorais.
É assim que anjos fumam em inferno aberto,
Se abrigando do frio de enxergar
O que resta e é ossário para contemplação dos fantasmas.
É assim enquanto a pobreza em remela
Assoa o nariz e cobre-se com papéis de bala
Que eles chuparam muito mais
No auge no nosso nazismo de 20 anos, 
Seus nauseabundos dedos.
Ontem e hoje, os mesmos de sempre 
Cuspindo chicles verde-sangue
Nas tuas ventas esquecidas
É uma pena que você venda seus amigos
Se caralhe, sanguinolento!

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

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PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.