Pular para o conteúdo principal

LAVADEIRA DA MINHA INFÂNCIA EM REPRISE

Lava lava lavadeira da minha infância em reprise
Lava lava lavadeira os cernes das minhas crises

Lava lava lavadeira o fundo dos meus aclives
Lava lava lavadeira o ser-sem que é corvo/cisne
De tanto peso nas curvas dorme por um triz e tisne
o triste
Lava lava lavadeira meus pensamentos in/firmes
Ao te ver curvando o sonho e quadris ao rés do rio
Lavo lavo lavadeira minha virtude no crime
De tontos desregramentos
Lava lava lavadeira meu resto em tuas bacias
Teus meios lava lava lavadeira nos teus céus
Os meus infernos
Lava lava lavadeira meus olhos minhas olheiras
Pois se por fora eu rio por dentro solto o berreiro
Por teu cheiro em peixe e água impossíveis

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

O CURSO DO RIO

Sei que o rio deve seguir seu curso. Mas preciso descansar entre as pedras correntes, As pedras cristalinas de seus olhos. Gostarias, sei, que eu movesse para ti Diamantes com lábios, algo assim. Mas quero-te foder a toda hora Com meus instintos de pedreira em sêmen.

PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.