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MEU SENTIDO

a nudez do tempo
é ter o gume de toda pele
a nudez da chuva
é ter a faca do coração
disponível para o solo
que fecunda
o balanço dos postes
os pássaros encasacados
os uivos das telas
as mentes começando
pra cortar os seios de vidro
das falsas convicções
os corpos se arrastando
as luzes aquentando
excitando reanimando
muitos querem no fundo
o salário que compense
a existência
o prazer uma vez por dia
por mais um pedaço de luar
uma nesga de sol
sossego ou barulho
música calma ou não
romance de papel de filme
como um teste certo de errar o tempo arcaico

meu sentido é ser o erro e a praça de adubos
para avançar
tecer amor com o que escreva
a bancar o ser errático
quero que este incerto reto ereto reste
mostre o nem sempre exato e me curve
Poesia, ao teu púbis

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

O CURSO DO RIO

Sei que o rio deve seguir seu curso. Mas preciso descansar entre as pedras correntes, As pedras cristalinas de seus olhos. Gostarias, sei, que eu movesse para ti Diamantes com lábios, algo assim. Mas quero-te foder a toda hora Com meus instintos de pedreira em sêmen.

PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.