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JU TINHA VINTE E POUCOS

Ju foi tirada da pista.

Tinha vinte e poucos anos.

Seu pai ainda não sabe.

Sua mãe ainda não sabe.

Todos que olham seu rosto 


Emplastado na avenida dizem:

- Que pena! Tão jovem!

Mas a dor trabalha em outro canto.

Em outro canto está prestes a desaguar.


Longe da avenida a casa de Juliana.

Seus pais almoçam longe.

Estão felizes longe.

Não entendem ainda a dor que se prepara.


A dor estará perto demais.

Apertará os corações.

Que despejarão oceanos com remoinhos.


Mas por enquanto almoçam.

Não entendem o fluxo preparando o dentro.


Vão saber que ela tentou fugir com Geraldinho,

Vão saber que não adiantou contrariar o namoro

Em nome da rigidez de velhos e (in)seguros princípios,

Vão saber que foi errado tratá-la com desrespeito.

Quem agora iria passear com a cachorrinha de manhã

Pra ela fazer xixi no jardim do vereador ladrão?

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