Pular para o conteúdo principal

AGORA HÁ POUCO

Agora há pouco, Senhora Morte se sentou em meu sofá.
E eu disse: você aceita um café? - Com bastante açúcar!
Fui para o quarto calmamente.

Só pra vocês saberem:
Em 1718, um americano, um tal de Puckle,
Construiu a primeira arma de fogo de grande calibre
Capaz de disparar vários projéteis
Em um curto espaço de tempo.

Fui para o quarto calmamente.
Toda metralhadora tem uma mola
Que dá início aos disparos da arma.
Ela permanece travada numa posição contraída,
Pronta para se esticar e empurrar para a frente
Uma peça pontiaguda chamada agulha.

Voltei ao sofá rasgado e com uma mola aparecendo.
E a Morte estava lá sorvendo um café.
Quem a serviu, se fui ao quarto contíguo
E a Vida foi comigo?...
Sentei, ela pousou a xícara no chão da sala
E começamos a montar e desmontar a metralhadora.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

O CURSO DO RIO

Sei que o rio deve seguir seu curso. Mas preciso descansar entre as pedras correntes, As pedras cristalinas de seus olhos. Gostarias, sei, que eu movesse para ti Diamantes com lábios, algo assim. Mas quero-te foder a toda hora Com meus instintos de pedreira em sêmen.

PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.