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VEJO PÁSSAROS NA FUMAÇA

Vejo pessoas perdidas.

Outras que se encontraram.

Quem não é perdido?


Quem não se encontra

A cada tropeço?

Vejo pessoas em busca.

Vejo sonhos e fumaça.

Vejo um rosto amado

Com lua nos olhos


Pronta pra gorjear.

Vejo mãos trocando coisas.

Me parecem pequeninos vulcões.

Me parecem pequeninos vulcões.

Eu, um perdido de lua.


Um encontrado de sol.

Vejo a noite falando mole.

Vejo o olhar do gorjeio.

Vejo o olhar do gorjeio.

Estou achado

Estou perdido

Num cantinho encontrado?

Sou importante?

Há quem beba o dia inteiro.

Há quem fume o dia inteiro.

Há carros de polícia que flutuam.

Vejo um passarinho.

Ele canta canta canta perdido

Um blues para meu eu perdido.

Na beira de próprio abismo.

Temos cada um seu abismo.

Temos cada um seu abismo.

Vejo pessoas com sol dentro da lua.

Como sair do farol

E estudar o encapelado das almas?

Vejo o olhar da noite olhando mole.

Uma mulher tentando o seio de outra.

Um homem de mocidade sábia.

Um amigo para a eternidade.

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

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