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MENTIRA COM PATÊ

Não sei nada.
Sou o zero da escada.
Não o papel para a sua cagada.
Me traga uma palavra-começo.
Um leão rugindo no desenho de um caderno infantil.
Minhas garras estão na pele molhada dos dias de chuva.
Quero a canção de algum sabiá.
De palmeiras onde eles não existem.
Quero um pacto com o que está por vir.
Quero a fumaça do som do primeiro universo.
Quero rastejar como o lagarto de cristal dos sonhos.
Sou um simulacro. Um sino atroz.
Sou uma mentira com dente caindo. O que quer sem querer.
Não sei nada de verdades.
Sou o zero da escada.
Sou o papel para tua cagada.
Cague e vá, Espelho Cagão.
Olha no espelho, Espelho.
Olha: sou teu espelho.
Olha no espelho.
Eu olhei em ti e não me vi logo.
Eu movi-me espelhado primeiro e aqui depois
Tenho um espelho lerdo.
Sou uma mentira com talento para verdades.

Comentários

Dilmar Gomes disse…
Natan, tu és uma metralhadora poética.
Tenhas uma ótima manhã.

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

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PERTO E LONGE SEM TI

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