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TRAJETÓRIA ENTRE AURORA E CREPÚSCULO

Aurora.

Um homem carrega seu AMOR aos ombros.

Procura um berço. Sobe a ladeira íngreme.

Com uma mão segura a perna esquerda do menino.

Com a outra empurra uma pedra ladeira acima.

O menino a crescer em seus ombros.

No meio da ladeira, cumprimenta quem passa.

Quem passa?

Alguns o ajudam a empurrar a pedra.

Outros alimentam o menino em seus ombros.

O menino cresce. Fica adolescente.

O adolescente poderia ajudar, mas não ajuda.

Gosta de ver o outro em si sofrer,


A impulsionar a pedra adiante.

Até parece ser o AMOR filho da pedra.

Ser filho da pedra é como ser filho da puta.

O homem sofre subindo a ladeira.

Arca.


A certa altura, rareia a ajuda.

Um aqui, outro ali.

O adolescente às suas costas torna-se adulto,

Que gargalha ao ver o sofrer do homem.

Não sai dos ombros, forçando o peso.

O homem já aceitou o seu destino de dor.

Rola a pedra até o final da ladeira.

Novo Sísifo. O homem avança.

Há um AMOR velho agora em seus ombros.

O homem avança. Cai AMOR dos seus ombros.

Morto o AMOR?

Então, o homem vê um berço ressurgir por dentro.

Como entender as coisas?

O homem olha no espelho no berço.

Crepúsculo.

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