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ESQUINA CORTANTE

Na esquina,
Destripados becos,
Luas sem cabeça, cães
Alertam sobre os pinos
De coca e miolos moídos.
Em mesas deficientes
E sob marquises em fratura exposta
Menores com nove milímetros

Mascando patas de gato
Vontades cortantes
Picam rãs em contralto
E com papelotes de sombra
Os pássaros da náusea
Na esquina se arrombam

Além da esquina
E aquém
Nódoas veem
Em poças retidas
Porém ninguém vê
A destroçada vida
Por dentro de todos
Que dizem "fazer o quê".


Implorando
A nosso dedo no gatilho
As orelhas dos fatos.

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