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FLAUTISTA DE PRESAS RECOLHIDAS




Por ter dado a hora,
Desceu da montanha, e,
Fechadas as presas, perfurou a cidade.
Deslizou sobre as ruas,
Seguindo os cães, soprou a flauta,
pois era tempo de recomeçar.
Recolheu seu diálogo de águia,
E flauteou pouco pois tinha pulmões diminutos.
Era o seu objetivo trilhar esse inferno urbano,
A buscar ratos que valessem a pena.
Os homens não tinham salvação.
Mas os ratos tinham.
Nas ondas espelhadas das poças
Flauteava sualma em oculto. E os ratos
(Os que não viraram homens)
O seguiam, mal soprava.

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