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LUA BAÇA LUA BAÇA


Agora, qual touromem na Guernica de dentro.
Cego Aderaldo e Cervantes no livro rasgado.
Ser uma guerra civil que nunca alguém viu.
O Grande Sertão está no sofá, marcado de palitinhos.
Deixei de lê-lo pela metade. Um mandacaru.
Tudo é tão importante, lua baça! Roxana
Com rugas belas ronronando nos olhos do retrato.
Olhos roucos: querubins de óculos pretos.
O dia foi salvo. Apesar da minha guerra civil.
Se eu fosse um curupira esconderia livros nas árvores de Manoel de Barros.
Mas sou apenas o que de repente entrou em curto-circuito quando leu Cioran.
Os faróis têm uma quentura salgada e na pele finalizam sentidos.
Na vida, as telas não param ou somente param em imagens sem saída.
Gosto de pensar na incompletude mas dói o completo fingido.
O sempre dói tanto apesar do seu reflexo de nuncas.


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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

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