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CARTAS DE JAMES JOYCE

Era dia dezesseis
De junho de zero quatro,
mil novecentos e quatro.
Primeiro encontro de Joyce.
Ia o seu pensamento
Veloz no perfil de Nora.
"Bloom Bloom Bloom,
Sinto as tuas intensas
partes de carne e ciência,
mexo em teu árdego ventre,
faço teu rosto em fogacho
de olhares loucoimensos",
escreveu o JAMES JOYCE
à sua esposa em libido.
Quem é ele, tu me indagas?
É Joyce, o James Joyce!
O que escreveu Dubli...dubli...
Nonsense? Algo assim.
Cantou tanto a sua amada,
Poliu su'inflada planta
Que ela ao sul bem regava
Pra doces toques diários.
Rubi rubro dilatado,
Tomate em carnal salada:
Mata cheia e delicada!
Para o seu James Joyce,
Que escreveu p'rela destarte:
"Como a sua 'coisa' cheira em
Teu corpo suado e forte!
Não há nada que eu mais queira!
Lambo-te toda ao comprido,
Mordo-te as costas-recheio!"
As cartas do escritor
Falam coisas cabeludas
Pra Nora, sua tesuda
Esposa meiga e querida...
O amor? floresta muda
De aranhas cabeludas ! -
Disse o escriba irlandês
A uma musa hirsuta -
Assim a Vida faz ver,
Amando a alma da carne,
Que a carne d'alma é Arte
Apalavrada no ser. Sartre?

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

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PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.