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FALA AO MAR

Há excessiva fragilidade.
Excessiva credulidade.

Meus dentes são fracos corais.
Minhas rugas transitam em rasgos.

O oceano tem saudades paradas.
Barcos se aquietam para o sono.
Vejo um em cor de reggae.
Verde, vermelho e amarelo. 

Um pescador me conta num galho
Sobre os pratos de seu avô
Cheios de cozidos de peixe
Com farinha de banana.

Eu moraria aqui.
Minha cabeça é lisa como uma negação.
Tenho excessiva fé quando não quero
E dura uma vida de cigarra terminal.

O pescador tem um barco
Que sempre está com ele,
Eu tenho um abraço,
Um abraço que meu pai me deu.

Quando chorei de medo
Da sereia no parque de diversões,
Fiquei escuro.

De vez em quando nas cercanias
Há um trovão que espanta
Maremotos. Mas sorri.

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Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

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