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QUANTOS USAM A CESTA PARA EGOS


Quantos há reis-de-si-mesmos?
Diz-me, pessoa boa, ruim, à-toa.      
Quantos vão nas bibliotecas?
Quantos usam linguagens que criam?
Quantos em êxtase chegam no abismo?
Ninguém aceita o anjo urinando pós-modernos cristais.

O tamanho da alma é mais importante.
Uma alma ereta não é brochante.
Há uma conversa doida no bar do cotidiano
onde as portas batem com estrondo demasiado
e ao canto um braço estica jogando egos na cesta.
Quem?
Tento ser novo mas as asas batem nas fogueiras como cigarro no sofá antigo e o buraco se abre e tudo se dá como sempre se deu no rio da minha aldeia que só olho de passagem como o fio de mercúrio da Estireno que lambeu de passagem o dentro de um peixe que foi comido por um colega de serviço que morreu por dentro e por fora ganhando passagem só de ida para além do rio do esquecimento (será que o barqueiro da morte se aposentou?).
Minha aldeota cultural é industrial e linda
e tem um rio colorido em cada artéria.

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

O CURSO DO RIO

Sei que o rio deve seguir seu curso. Mas preciso descansar entre as pedras correntes, As pedras cristalinas de seus olhos. Gostarias, sei, que eu movesse para ti Diamantes com lábios, algo assim. Mas quero-te foder a toda hora Com meus instintos de pedreira em sêmen.

PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.