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REDEMOINHO POR ALICE

Vejam o redemoinho.
Outro amigo morreu

entontecido nos olhos
por uma beleza impiedosa.
No ginásio sorríamos

comentando
sobre a aranha dela
bisbilhotando o banheiro
das meninas.
Vejam o redemoinho

que ela provoca quando pisa.
Há um coelho correndo

ao seu encontro.
Estamos protegidos
por um fauno de devoção.
Seus olhos são cardumes
de pura sensação.
Há um destino de xadrez

em torno da beleza dela.
Há cartolas em todos os cantos.

Fazem mágicas 
por seus buracos.
Há chás todo tempo.
Lenços no redemoinho.
Então, talvez a gente deva

atingi-la com pedras
de auto-estima
e constelações 
de brio.

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