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OS MIOLOS DA ALMA

Uma grande dor
daquelas apocalípticas
elípticas
críticas
míticas
sifilíticas
císticas

A carne saiu pra fora
com os miolos 
da alma
frouxos de carne
e meleira
doideira
nojeira
tranqueira
perto nenhuma
enfermeira rameira
bombeira

Os ossos furando os tecidos
monstruosa visão
aterrorizante
estranho choque
supernatural
apocalipse zumbi
foda

Então, a alma saiu,
melada de sub-canções
com fragmentos de ossos
de sonhos
curtindo na cara dos outros
demoníaca simpática
infame sorrindo
estúpida insípida
indelicada delicada
chorosa 
bonitinha sensual

Saiu e voltou, tímida

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

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PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.