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ACORDAR, ACORDAR

Tenho de acordar segundas, terças,
quartas, quintas, sextas.
Tenho um sábado e domingo
para atuar com o coração desfiado.
Em cima de alguma cadeira ou sofá lendo a parede.

Seja parede-parede ou parede-rosto.
Lerei somente paredes de alma
que tragam riso nas dores da carne.

O eu pensa em sua cidade sem e com ambições.
O eu não tem uma revista onde possa degustar o ego
e envaidecer-se de ter uma bela opinião inquietante.
Nem leitores enxergando-o como um belo exemplar.

Mas o eu sabe que sua cidade
precisa para todos os cidadãos
de segundas, terças, quartas, quintas, sextas,
sábados, domingos, com consciência suficiente
para despertar o olhar pro barro e pedra do corpo.

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