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NUNCA E SEMPRE RESPIRAR

Eu já naveguei por mares mais oníricos.
Avistei praias que me ensinaram areia.
Mas aquela sereia que ali morre
Numa esquina com jornais-morango,
Neste não-onírico mundo na sarjeta,
Mostra guelras dormentes de violência
Aos meus olhos feitos de letras com pontas.

Outra vez me encontro a regurgitar nos papéis.
Fico fragilizado diante daquela sereia que ali morre.
Meu coração é frágil como um filhotinho.
Em meu ser todas as fontes têm poder.
Ela quer me impedir de olhá-la com minha solidão.
Logo eu que só sei viver assim.

Com solidão consigo me mover por fora.
Consigo dizer olá com ódio.
Consigo matar baratas.
E me sentar para preencher processos de horas
Cheios de pedidos e revisões de relógios/cérberos.
Sem ódios consigo segurar a caneta.

Caneta que o ser sempre enche de tinta neutra.
Sem me esforçar consigo mentir que sigo sem dor.
Eu já naveguei remando com palavras escuras.
Tropecei em ondas odiosas que me ensinaram.
Corais de dívida-dúvida à Vida
Me ensinaram deste amor às palavras
Em seu sabor de repetição criativa.

Às vezes penso que estou caído.
Na verdade, estou de pé mas
Com insuficiente compaixão por mim.

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