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BEIJOS PRA 06 DE JUNHO DE 1992

Um beijo, mulher,
e eu saio pela avenida 9
como um campeão
do espaço profundo.

Dois beijos
e eu posso refazer o Rio Cubatão
a que nomeies todos os peixes.

Três beijos
e eu posso pular num pé só
por tantas horas quanto queiras

o Rio Mogi.

Quatro beijos
e eu posso trazer-te a música
que da terra ao céu cantavam

os pés dos 5 Manoéis.

Cinco beijos
e eu posso subir a Ponte do Arco-Ìris
ou até mesmo as Cotas junte
ao Cotia-Pará pra teu deleite.

Seis beijos e eu viro Peri
mostrando prazeres pra ti
redondo mas insano e quente

sustentando-te o sentimento.

Sete e eu sonho aqui.

Setenta vezes sete beijos
e de final viro começo
mesmo em Juízo condenado

a perder o logos, log(r)ado.

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

O CURSO DO RIO

Sei que o rio deve seguir seu curso. Mas preciso descansar entre as pedras correntes, As pedras cristalinas de seus olhos. Gostarias, sei, que eu movesse para ti Diamantes com lábios, algo assim. Mas quero-te foder a toda hora Com meus instintos de pedreira em sêmen.

PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.