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TUA CARNE DE INVISÍVEIS

No meu poema 
te vestirás como chuva e mar
e letras indeléveis.
Aqui choves sobre mim
todas as chuvas de jardim.
As flores são livros na estante.
Aqui teu maremoto me verte
e me subverte o canto,
o choque de tuas ondas 
me massageia as pedras,
e, em sumo balanço,
tuas placas de orvalho 
movem-me a madrugada
do ser atônito, instante
com mil falsidades. Meus peixes
tuas correntes com luar
invadem. Meu corpo 
é verbal cardume.
Sou um prego
na tua carne de invisíveis.

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