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DESENTENDO CHAVEIROS

Você me diz 
que não sou louco, 
só um pouco,
que não diferencio Cleópatra de Creio em pátria.
Que vejo anjos de coágulo nas pernas
fugidos do Inferno-São-Os-Outros.
Você me diz que é tarde para mim,
mas quem entende os próprios chaveiros?

Adianta exigirmos do espelho
o normal de decência lógica?
Você quer me atar com absolutos
e embaça minha laranja na fruteira.

Você afirma e eu fico surdo,
pois só o relativo pontifica
a mistura do meu dia com feijão,
e um anjo escabelado se estica
na rede de sarcasmos que me dão
as mãos dos sonhos que mais vão

quanto mais ficam no chão.

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

O CURSO DO RIO

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PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.