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SE EU ME CHAMASSE SETE-FACES (a Drummond)

Vejo gente multiplicada por gente sobre gentes....

Pra que tanta perna, tanto movimento,
nada lento, tudo rápido?
Poucos cultivam o bigode.
Só conheço o Tião e o seu irmão.

Creio no segredo do sonho quântico.
Somos eternos em processo.
Eu mesmo me abandono a devaneios sutis.

A galáxia é vasta.
Meu coração adora um torresmo com cevada.
E ainda me comovo com a morte na TV.
Se eu me chamasse, eu me atenderia.

E se meu nome fosse Raimundo?
Voaria com solução
De formicida e rima. Ou não.

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

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PERTO E LONGE SEM TI

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