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DUAS EM UMA COMO SE FUNDIDAS

Procurei por todo lugar,
embaixo da cama,
nos escaninhos do computador,
nas gavetas, às quais tive de consertar,
com um preguinho nos cantos,
procurei no corredor,
debaixo da pia, onde encontrei
uma gota gelada, solitária,
e, em ato de misericórdia,
a matei com um paninho,
procurei na televisão, no sofá,
detrás das duas máscaras
venezianas, que trazem cada uma
um espírito,
e não encontrei,
até que indaguei da esposa,
que jogava cartas virtuais,
sobre a minha alma,
e ela me respondeu
que estava junto da dela
desde que nos casamos
naquela longínqua noite
e de tão agarradinhas
é como se minha alma não existisse,
fora da dela a foder a minha
com gozo de deuses com satiríase

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

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PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.