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NAS ÁRVORES DE ONTEM

Quando cheguei em ti
com um hino roubado a Dionísio,
um raio roubado a Zeus,
um perfume roubado a Vênus,
estavas no enredo

Com a ajuda das Musas
criei para ti um tapete de poemas
a que deitasses mansamente
e sonhasses o que quisesses,
esperei....

Conhecemo-nos de novo,
Tu disseste, eu já fui tua,
Tu disseste isso e eu teci com palavras
nossa Igreja, pois, tinha fé
no que me disseste
por teu corpo e alma
e além

Olhei em teus olhos e me achei,
eu estava lá, Lúcia, eu estava lá
e o brilho de tuas retinas
formaram lagos nos quais me atirei

Cúmplices, em audácia,
voamos nas aves de fogo da aurora,
ao sabor dos ventos misteriosos
do superior afeto,

Sentamos nas árvores do amor
até que de dentro brotassem
nossas esperanças-flor
para o Jardim do Tempo

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

O CURSO DO RIO

Sei que o rio deve seguir seu curso. Mas preciso descansar entre as pedras correntes, As pedras cristalinas de seus olhos. Gostarias, sei, que eu movesse para ti Diamantes com lábios, algo assim. Mas quero-te foder a toda hora Com meus instintos de pedreira em sêmen.

PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.