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NOSSOS ASSASSINOS (MEUS E SEUS)

Estão por aí

Os meus e seus assassinos

Juram fazer o Bem em nome do Livro

Dizem que a Bondade não deve ser direta

Os meus e seus assassinos


Matam todos os dias

Com palavras que deliberam

O emprego a aposentadoria

Dizem: todos hoje vivem demais

Ganham demais

O que querem


Muito falam/matam os meus e seus assassinos

Todos bons pais e bons amigos e bons filhos

E distribuem sopas com moscas aos domingos

Depois de irem ao templo



Acordam como todo mundo

Mijam escovam os dentes

E não tremem

Diante da maldade que vão fazer

Diante dos mortos que deixarão pelo caminho



Perto da minha casa

Um deles quebra um celular de raiva

Na cara de uma árvore dançarina

O vento lhe empurra

Uma carruagem de fogo o atropela



Com pensamento cheio de chumbinhos

Todas as espécies de animais lhe interessam

Se ocultam no meio do sangue

Vomitam desumanidades em nossos pés



Quando atiram famílias nos poços

Palitam os dentes com sua inconsciência

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

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PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.