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NA ORELHA DOS FATOS

Lá longe no escuro
na avenida a meio
amigos de infância se roem
e cheiram nos banheiros fétidos

Uma jovem vem cambaleando
de seus quinze anos
se imaginando a super-modelo,
enganando a todos no celular
brincando com as consequências
do faz o que tu queres

Seu anjo-mau foi no lixo da esquina
e já refocilou seus neurônios
no mesclado

As luas de seus sonhos
são sentimentos maternos
com leite vazando dos seios
pinos de coca em fratura exposta

A noite avança escura e clara
como um ovo sideral estalado
na face da galáxia

Ela vem em minha direção
e a cadela no fim da corrente
me avisa antecipadamente
da sombra que almeja devorá-la

Em seus olhos os pássaros da náusea
dão nódoas com papelotes e ervas
e a dor canta qual contralto
nas orelhas dos fatos

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

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Sei que o rio deve seguir seu curso. Mas preciso descansar entre as pedras correntes, As pedras cristalinas de seus olhos. Gostarias, sei, que eu movesse para ti Diamantes com lábios, algo assim. Mas quero-te foder a toda hora Com meus instintos de pedreira em sêmen.

PERTO E LONGE SEM TI

Estar longe de ti somente um dia É muito, mas começo para ter-me. Estar perto de mim a eternidade Desequilibra a alma, se esquecer-me. Estar? dificuldade que me afia. Ser já é em dúvidas quedar-me. Vigio na intenção de não perder-me. É te largar um modo de encontrar-me? Voltar? Não posso. Está passando o tempo. Só não sei onde, sei que é mais destarte. Se o tempo pára, sei que paro em ti, Amando ausente, mesmo a festejar-te. Sim, bem-amada, deixa o ser chorar-te. Cruze por terras muito, embora tarde. Estar perto de mim a eternidade, Sem ti, é como estar longe da Arte.