No cerne da ilusão de nossas verdades moles, esquecemos de nos ver em totalidade, e, duramente, nos amamos. Com Máscara de Ferro, nossa hipocrisia sentimental. - Sentimos muito, você sabe que falhou. - Assim, a voz do amigo e da política de circunstância. Nos esvaímos pelas veias carcomidas do sistema eficiente do Deus Hipos (Abaixo para os íntimos). E tudo vai regendo o Mar do Mesmo. Os Precisos continuando a se servir de sua solidariedade momentosa. Os Imprecisos a se espantar com a Poesia Espantosa de cada mínimo. Com a incerteza de cada sentença. Com a ruína de cada tribunal. Oramos ao Girassol com beleza desorelhada e gozamos a Beleza que só nós compreendemos. Nós, os Pretensiosos do Texto Vazio.
Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.
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