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água dos olhos

De poemas faço a água dos olhos
Com que a alma vigia de dentro,
Enquanto há domínio do não
Latindo lá fora,
Teclo meu ser com água em fios
De espanto nestes escaninhos do estar,
Onde há febre nos raios

E pneumonia nas tempestades,
Enquanto preta late lá fora
E eu tecendo palavras
De estar quadrado num buraco redondo
Com meu apagar de realidade
Enquanto lá fora preta late
Pela escrava hora do passeio
E um poste espera ansioso
Que ela o cheire sofregamente

Até que ele entorte de cócegas
Esquecendo a lei do silêncio
Das coisas sem sopro

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É TARDE E ESTOU DENTRO

Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.

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