Arruma as algas, Ofélia,
Após morte voluntária.
Ajeita a gravata nos chorões.
O espelho do lago reflete suas mãos em concha libertando pérolas de orvalho,
Preocupada, a certeza do sol,
Com a mão, percorre o corpo inflado,
Leva as mãos nos sapos, peixes,
O lago-leito, seu grande mar aberto.
Como enguia, faz uma ponte, seu umbigo no ponto mais elevado, a pele esticada, unindo os átomos das águas, cabelos-algas.
Ela não ressuscita, e, mesmo assim, sente-se no direito de ser sagrada.
Explora o resto de pensar no amor que esqueceu em superfícies.
Abre as linhas, entre miniaturas de ninfas,
Que lavam o lago,
Um leve vento revolve o caminho de algas reais amarelas e vemos o algoz.
Hamlet nem aí. Aguarda a perícia
Com marcas de caveira na consciência.
Domingo, um dia de algum abril É tarde e estou dentro de mim e de um ônibus, falo alto por fora num silêncio por dentro, bem atrás, de onde o cheiro reverbera, rodeada de uma porção de moscas humanas, de uma porção de coisas, uma mendiga entre sacos de plástico sorri sem nariz. . Uma outra mendiga finge ser madame, com um poodle de papel francês: caniche, com latido em bolhas, do imaginário desfiado em sacos plásticos de mercado. No lado esquerdo do ônibus, um ruela zé cospe nela seu cérebro podrelíquido. . Quando desço, desce a consciência comigo, caminha comigo desde há muito, a me ensinar que o excesso de perfume pode esconder uma alma empoçada. e vice-versa, ou quase.
Comentários