Pular para o conteúdo principal

Postagens

CHEIRAR O PÓ TEATRAL

Quero ser sempre teatro, Cheirar o pó que levanto. Beber a letra, no ato, Enquanto ator, me focando. Sempre me crio ao perder-me, Zonzo dos meus personagens, E misturando gestuais Desenho-me mil imagens. Mato na voz os silêncios, Nos gestos - carne em metáforas, No palco me reescrevendo Sempre, gozando a diáspora.

O PALCO É PARA QUEM

Sem medo de ficar a sofrer centelhas nadei cada centímetro à busca da Verdade Por ser feita de lavas com asas de pássaro e se vestir de mentiras não nasci rápido O palco é mágico, nem todos que dizem amá-lo sobrevivem, o que mais cala o vale Eu o perco sempre para abraçá-lo forte quando fecha e finge que morre

UM LUGAR QUE INTERESSA

Ainda há lugar para o afeto. Um lugar que sempre interessa. Um lugar incompleto. Mas que sempre constela. Se ontem caiu o teto o brilho, Se ontem anuviou-se a tela, Hoje o afeto tem novo fogo, Hoje o amor tem cascos belos. A ciranda põe-se em jogo. A letra pressiona o prelo, E novas ridentes cores São sonhos no setestrelo.

MINHA MITOLOGIA ETERNA

U ma lição inútil que não me lembro agora é de que a mitologia nunca acaba e que eu tenho a minha própria construída a cada passo e verso das minha inúmeras almas que nascem e renascem a cada afeto de que faço parte e que interpreto S ei que na memória existe um mapa indecifrável  em relação ao amor

QUANDO VIR

Como devo buscar sonhos? Como na beira do sempre? E me refazer? No indício com teima. Carícias em fogo. Na hora cheia. Quando vir o tempo... Me esperarás à mesa ontem amanhã? É duro o aprendizado mas sinto o que está perto na pele do ser. Na lápide,  a verdade do pássaro: gorjeio é mais.

BELISCANDO MOLDURAS

Este é imagem súbita  De meus recantos de nóia. Não diga nada ao espelho Que pensa diverso disto. Quer o tudo que não tenho. Quer o meu ser do avesso E minha idéia contrária. Vive a beliscar molduras. E quando ouviu o barulho De gente gritando : FORA Disse DENTRO e se escondeu. Peguei sete grãozinhos  E os pus no aquário. Todo mês eu o lavo Qual se lavasse meu medo.

HORA DO CHÁ ou ÉDEN ABORTADO

Quem somos? Somos os convidados da hora do chá. Os Sonhadores. A Ilusão nos convida. Qual foi nossa trajetória? A estrada para chegar à casa do chá. Quem seremos? Os que sairão da casa do chá de cabeça erguida. Somos.... Seguiremos a nossa bússola de dentro. Somos unos com nossos sóis e luas passados. Lutamos em meio a meteoros cotidianos. As galáxias - anéis à volta de nossos dedos urbanos. Vós, os do Engano, os Inconstantes, criastes um bebê que não sabe do sombrio por debaixo de vossas roupas. Não sabe dos abortos. Mas lembrarão de vós os jornais. As novas gerações se perdem em contratos de celofane rubro. Sabemos que tomarão nossas ações por traições. Vós fareis de nós os fáusticos vilões. Mas tudo é uma roda. Nossos descendentes devorarão os vossos urubus de açucar. Apesar do ego, nosso sol como toda estrela explodirá no...