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APUNHALAR O PUNHAL

apunhalar o punhal, acalmar o cenho, disparar o labio do eu, embora os perseguidores do sistema, fanáticos de conflito, porcos sem fábula de maçãs na moldura da boca, reviver o azul da relva, embora a pólvora do presente com sua explosão cinza, e brincar de soprar fagulhas de rebeliões no papel, osso doce

VENCER-SE

Reitero-me Pra tentar em redemoinhos E assim ressignificar-me Na Arte de novo e de novo, Como fauno à tarde sempre A seguir as obras possíveis, E vou ao fígado do mundo, Amargo, ao sabor doce Das ondas, Reitero-me e Corrijo-me entre as folhas amarelas Que caem no lago, no ego

ARAKEVE NUNCA MAIS

VERSÃO sexta-feira, 3 de março de 2017 ...ARAKA’AEVE NUNCA MAIS, inspirado em poema de Edgard Allan Poe - The Raven (O CORVO) e em Eros e Psiquê, de Fernando Pessoa ...Meia-noite? Não sei bem, era horário de verão. Folheava um livro raro, letra barroca e fininha. Meu corpo todo doído debruçava sobre a mesa. “Ouvi o som do interfone?” Estiquei-me. Dor na espinha. “Quem toca meu interfone?” Logo atiça a dor na espinha. Quem vem com seu nhenhenhém?”. Foi no início de setembro. Meu aniversário, eu lembro. Não paguei a luz. Velavam velas várias na cozinha. Esperava o sol, o dia. E a noite me tragava, A leitura me enjoava, só lembrava de Amelinha Ancorado no cais longo da memória...Amelinha !!! “Quem vem com o seu nhenhenhém?” A cortina na vidraça balançava, para horror Desta herdada arritmia que ao peito desavinha. Ouvi de novo o interfone por vagarosos segundos... “É cliente atrasada??? A fofura da vizinha? Como puxa meus lençóis! Ela é uma vizinha Bem versad...

ANTIGO NA CHUVA

A chuva no sonho máximo de alisar coisas secas pouca vergonha usa no se exibir molhada, cai vertical, nua das nuvens principais, fragmenta o agregado princípio, enquanto percorro o bigode  como um ser antigo, o sonho de folhas ao vento com a guerra ao norte  ... E começo a estender a arma eficaz - a toalha do pensar com estratégia densa, onde golpes anencéfalos esquecidos há anos aparecem do nada  e se servem dando ordem unida  na frágil luz do teatro

QUE ENOBREÇA OS OLHOS

Seus olhos são nuvens com versos, caravelas e peixes. E eu sou uma ressaca marítima. Há sede debaixo de meus olhos. Há demasiada ansiedade em minhas naus de ondas. Não há vestes a proteger do frio. Não tenho muitas saídas, você sabe. Tenho de ser peixe. Estou uma confusão só. Sou um coral de crises. Sou um rodapé por uma estranha corrente. Talvez se me entendesse, poderia ser Netuno. O forno pifou quando eu planejava a queima sagrada. E a casa envelheceu na árvore da chuva que cai pesada. Há chuva que melhor que esta enobreça os olhos?

PALAVRAS COLOCADAS NO PAPEL

Palavras colocadas no papel não voam Nem servem para sopa de letras. Antes, ferem com seus espinhos. Anteontem, feri o dedo indicador, Ao escrever letras com pontas finas. Desde que nascemos, Temos que pesar palavras. Esta aqui é de 200 gramas. Aquela ali tem 100 gramas. Pode matar. Ou fazer viver. E acolá há uma outra Pra ferir galáxias. Palavras que coloco podem dar azia, Podem ser vazias como um furo, E ter mesmo a minha alma.

PRIMEIRO, OLHO

Primeiro, olho. Coisas reais chamam-me entre as pupilas sacudindo centros de sensibilidade. Assim meu olho caminha nas letras, Cheio de extensões interiores: Dentro do ser do poema que se pensa original Um arremedo das pupilas do mundo.