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segunda-feira, 15 de maio de 2017

CAPÍTULO


O capítulo era imenso
e cheio de verdades inadmissíveis.

Seu arco acertava ouvidos
e dizimava tranquilidades.

Uma mosca guardava-o
por entre cordas acres.

Todos pediam clemência
quando capitulavam.

sexta-feira, 24 de março de 2017

água dos olhos

De poemas faço a água dos olhos
Com que a alma vigia de dentro,
Enquanto há domínio do não
Latindo lá fora,
Teclo meu ser com água em fios
De espanto nestes escaninhos do estar,
Onde há febre nos raios

E pneumonia nas tempestades,
Enquanto preta late lá fora
E eu tecendo palavras
De estar quadrado num buraco redondo
Com meu apagar de realidade
Enquanto lá fora preta late
Pela escrava hora do passeio
E um poste espera ansioso
Que ela o cheire sofregamente

Até que ele entorte de cócegas
Esquecendo a lei do silêncio
Das coisas sem sopro

quarta-feira, 22 de março de 2017

NA LUA SONHO ESPELHADO

Quando era menino,
queria ser astronauta.
Hoje,
só quero viver no bar da letra azul.

O que fazes a esta hora no bar?
- Escrevo com tinta de tempo
a mulheres com promessas
nos olhos de Renascença.

Quando era menino,
queria fotos de atrizes.
Nas revistas de minha mãe.
Para brincar nos escurinhos.

- O que fazes aí dentro, menino?
- Esfrego a mim mesmo
pra ver se enxergo um pouco mais.

quinta-feira, 16 de março de 2017

LUZ E PÁSSAROS NA BAILARINA

Há luz em teus movimentos.

As tuas mãos e pés voam,

Passaradas

Pintando úteros no espaço.

Cores colorem olores florem

Quando num pé só voejas.

E se flutuas nas puas do ar,

Dás encanto às moléculas que se juntam

Num impulso de recriar o universo.

Vejo árvores e cortes de seivas

No mito vegetal que instauras.

Bailarina, bailarina,

Olha ! Quantos deuses tu revives

Com o corpo em que rimas !!!

CHAVE DE CADEIA 2

Vê se baixa essa beretta,
por favor não se intrometa,
porque minha alma é livre
como a cauda de um cometa,
coisa inteira, coisa meia,
que é vazante e maré-cheia,
seja sangue ou seja a veia,
só se aproxime disposta
a ser chave de cadeia.

Vê se baixa essa beretta,
por favor vem, se intrometa,
porque minha alma é frágil
como bala de espoleta,
se eu morrer no fim do morro
pode crer que é coisa feita,
que é vingança de mulher
por excesso de "bu !!!..ce tá 
me ouvindo?", ou traição 
por despeito ou por falseta.

Vê se escreve na prancheta,
por favor me livre a treta,
porque tenho muita fé
no amor por ti - "beretta" -,
e se te beijo te como
com pimenta malagueta,
mas antes eu te mastigo
no bar de Dona Capeta.
Só se aproxime disposta
a desordenar retretas.

domingo, 12 de março de 2017

ERVAS SEM LIRISMO

Vou falar-te então,
metaforizando:
A letra é um mamão
que como babando.

Minha alma obstou
o ardor que tinha.
Por outra, dependo
de sumos de vinha.

Meu sonho abriu-se
todo em ceticismo.
Florescem no escuro
ervas sem lirismo.

Fui no poemiatra
que assim me falou :
Sou um caso raro
de ser sendo em soul.

Quando à noite encolho,
feito sombra em claro,
todos os instintos 
no papel disparam.

E me surgem bolhas
na derme do estar,
e as ponho no poema
pra desinflamar.

segunda-feira, 6 de março de 2017

NÉCTAR AO MAR

Lambi com a íris 

o sol acima das espumas.

O néctar ao mar com peixes

e anêmonas de sonho.


Joguei a íris na cama. 

Depois, acordei,

no rosto o suor do mistério. 

Aí, nadei no papel.