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terça-feira, 18 de julho de 2017

LENDO CUBA

Cubatão, atenta,
E deixa eu ler-te o imberbe rosto…
Leio pelas linhas de tua pele
Lutas desde o salso dos sambaquis
Sob odores de jacatirões, ipês, bananas,
Jacas, mexericas, e outros perfumes,
Como bem cantou Afonso,
Ao bem louvar-te fauna e flora.
Em teu rosto leio o doce fluxo
De rios, serras e mangues,
Onde ágeis pirralhos brincam
Ante a recatada sensualidade
De moças lavadeiras de cócoras
Engrossando as coxas no dobrar do talhe,
Pitos acesos nos cantos dos lábios.
Em teu pescoço, leio a artéria verde
Das infindas trilhas por onde Ramalho
Martim, Tibiriçá, e outros andaram,
Subindo o Planalto, em ingente caça
Aos Tupinambás, naturais das selvas.
Em teus ombros leio os três vincos fundos
Das três sesmarias por Martim doadas.
Acima do peito, leio-te o desejo,
Que por pouco deixa
Aqui a Independência.
Nas costelas tuas, leio dos Manoéis,
A manoelar no eito e nas marias
Sonhos de bem mais.
Perto de teu baço, leio o luxo e o traço
No Largo do Sapo imemorial
Onde a elite dantes bem se deleitou
Filando o café quente com biscoito
De Dona Izolina e seu bem Bernardo.
Pertinho do umbigo, leio Miquelina
Que acendeu as luzes de sua morada
Onde após seria o velho Anilinas.
Leio mais, descendo o sul de teu corpo,
E avisto povos fortes dos sertões
Vindo para a indústria e se amalgamando
À biodiversa cor cuipataense
Das rodas dentadas marcando riquezas.
Enxergo em teu sexo festas de aldeia
Com seus braços amplos, em passo gozosos,
Índias, portuguesas, nordestinas, outras,
Temperando o solo com sua alegria,
E nos teus joelhos leio o sempre fértil
Riso de esperança ao dobrar da história.
Nos teus pés, mais leio ritmo em cadência
Emancipatória de passista plena,

Chapinhando o tempo sob o tom do amor. 

quarta-feira, 28 de junho de 2017

DE MINHA LAVRA

De minha lavra
martelo perverso
em cima destas cores,
intrigando a fábula.

Eu me espero
nesta gigante solidão.
Com fragilidade nos dentes,
devoro frases selvagens
derretendo-as na boca.

Como só me encontras
nas nuvens da fábula,
permito que me vejas,
deste galho frágil onde pousas,
a coçar meus sujos pés,
refrescando amor cruel. 

POEMA DE MIM

Entre trovões e relâmpagos,
fingiam estar 
numa tragédia de Sófocles,
frente ao espelho do toucador,
onde ficções moravam
de boca e unhas sujas 
a mostrar faces não lidas.

Disseram-me
que não eram tão amargas 
quanto o meu risco as fazia,
e que eram em verdade 
belas e esguias,
e que não nutriam por mim 
falsos pareceres.

Desconheciam 
que há muito tempo 
eu escrevia obras de cascalho 
com ene terremotos e 
ritos pândegos de viés.

Já maduro e triste, como a voz 
de uma gralha de vidoeiro,
banhei-me na charneca onde, 
quebrando-me e rindo,
me fizeram cair e 
meu casco-cosmos se quebrou.

Tive de colar e explicar 
o poema e este ato
foi meu supremo pecado.
Fui condenado 
e suspenso por segundos 
da que sempre melecara.

Sempre me imaginara 
a réplica vitrificada 
de um Verso 
sem carnes.

Quem me vê 
assim cantando 
não sabe o Poema 
de mim.
Da máscara, eu sou 
coadjuvante e dentro.

terça-feira, 27 de junho de 2017

SUI FINDAM

ser poeta
etc etc etc

sobre o mundo e si
no lago do tempo
é urrar nas bolhas-
espaço do ser e seu aço

dos pés por di-
as usando fingeres
como sapax versos
e passar inventando
a dor de além do bojador

etc etc etc
uns frágeis
frades-sapos sui-
findam frases em
liturgias-tchibum !!!

segunda-feira, 15 de maio de 2017

CAPÍTULO


O capítulo era imenso
e cheio de verdades inadmissíveis.

Seu arco acertava ouvidos
e dizimava tranquilidades.

Uma mosca guardava-o
por entre cordas acres.

Todos pediam clemência
quando capitulavam.

sexta-feira, 24 de março de 2017

água dos olhos

De poemas faço a água dos olhos
Com que a alma vigia de dentro,
Enquanto há domínio do não
Latindo lá fora,
Teclo meu ser com água em fios
De espanto nestes escaninhos do estar,
Onde há febre nos raios

E pneumonia nas tempestades,
Enquanto preta late lá fora
E eu tecendo palavras
De estar quadrado num buraco redondo
Com meu apagar de realidade
Enquanto lá fora preta late
Pela escrava hora do passeio
E um poste espera ansioso
Que ela o cheire sofregamente

Até que ele entorte de cócegas
Esquecendo a lei do silêncio
Das coisas sem sopro

quarta-feira, 22 de março de 2017

NA LUA SONHO ESPELHADO

Quando era menino,
queria ser astronauta.
Hoje,
só quero viver no bar da letra azul.

O que fazes a esta hora no bar?
- Escrevo com tinta de tempo
a mulheres com promessas
nos olhos de Renascença.

Quando era menino,
queria fotos de atrizes.
Nas revistas de minha mãe.
Para brincar nos escurinhos.

- O que fazes aí dentro, menino?
- Esfrego a mim mesmo

pra ver se enxergo um pouco mais.