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terça-feira, 29 de maio de 2018

SOQUEI

Não sonhe com o que virá.
Don't jump - me dizia.
Não pule - me implorava.
Você perderá . Não saia.
E o próximo som bloqueie.
Não passe da esfera!

Não pule - se conforme.
Não nasça - todos vão olhar.
Você é tão lindo sugando.
Fique quieto - gritava.
Então, decidi: soquei a falante placenta
E nasci, pronto pra sonhar.

NOSSO SIGNO

Metralhamos a carne das palavras
E ela estrebucha, as balas quase
Nos órgãos vitais.
Vai endurecendo devagar,
Nem os vermes ligam.

sábado, 26 de maio de 2018

MÃOS CEGADAS

E agora?
Como podem trabalhar,
Mãos infames
Pelo hábito de delatar

Com o indicador
Do ser-nonada.

Há febre e inaptidão
Para limpos gestos.
Se apenas se roçassem

Como patas de moscas?

No ventre do mundo, mãos
Que não entregam são raras.
O limpo da expressão "sanguíneo amor"
Fura o bom mocismo do cego édipo.


Os jornais mostram estatísticas
Onde mãos são cegadas
Pelos pingos do Sistema.

TOURO FERDINAND SUSSUR/SANDO

- Sal, por favor, sussurre...Ferd,
Não me mostre a língua, urre !!!
Aqui o signo ao trato.
Vai lamber gelo de fatos.
(Assim, nasceu seu interesse no tom
Epistemo(i)lógico dos ursos.)

segunda-feira, 7 de maio de 2018

O SENSITIVO POEMA

...No teu corpo transitivo
Tua alma inenarrável
Simulando o infinito
Num finito apalavrável.

Antes e após a escrita,
Há um espaço que chora
Por nunca adentrar em ti.
E na casa em que te escrevo
Ódios, amores, derramam
Em tintas, mãos e traçados.
Todos os átomos sambam
Signos fora das linhas.
Louvores à tua alma
por trás de sofrido corpo
que dedilha frases
de papel, poema-vida.

O IMPORTANTE É O CAMINHO

Vemos o passar dos postes
da janela deste ins(TRAIN)te
Ser um homem
é ser trajeto
entre seu chão e seu teto
...
Sem caminho
é desfeito
o objeto
e o sujeito
...
Voando, a nave finita
não pode estacar durante
..
Sem estrada,
cada pé
raiz no pó
do não é
...
Vemos o passar dos postes
da janela deste instante
...
É a trajetividade
a busca sem mais verdades
do que está adiante

MAS TUDO É VÃO

Tudo pode ser luminoso na luz da memória.
Buscar o beco ou rua que morreu,
O campinho que aterrou o mangue,
O muro do qual se caiu duzentas vezes,
O porão que escondia tratores de toco,
Latas de sardinha como caçambas,
O prédio no qual se furou o pé.
O tanque no qual se conheceu
Estelita, a invulgar.
Envelhecer é
Um processo multifatorial
Que engloba perda de funções
E doenças típicas,
Culminando com a
Morte?
Buscar na memória o beco ou rua que morreu,
O Posto São Jorge, o Ferro Velho do Milton,
O campinho, a janela de vidro, sangue envolvendo
O pé e o prego enferrujado...
Catão, na velhice, descobriu a literatura.
Aprendeu Sócrates a tocar lira.
Desgaste de tecidos, fibroses,
Perdas de reservas regenerativas do sistema nervoso e
Imunológico, envelhecimento celular.
Ser feliz na velhice porém.
Lembrar o velório
De um homem centenário na rua paralela.
As festas de família em Registro
Com comida à farta e alegrias infindáveis.
Entrar no rio, andar de bicicleta na ladeira,
Se bestificar ante a praça de águas coloridas.
Um menino de quatro anos debaixo dos pés da morte.
Ratos sem exercício na associação atlética.
Mas tudo isso é vão.
Sócrates usava três pedras.
No entanto pensou bem
E não teve hemorroidas.
Hipócrates lambia os fluidos.
No entanto, pensou bem.
Esterco de crocodilo
Como creme de pele.
A esposa e a filha de Péricles
Seguiam a moda de então.
Dizem que anciões alegres
Não abreviam a morte
Mas envelhecem bem.
Os gregos não tratavam bem às mulheres.
Fazer mulheres comerem excremento de mula assado e vinho
Quando uma mulher tinha uma doença...
.....Pedir às filhas para não agendar o passado na máquina do tempo.
Envelhecer dá uma consciência
de sábio ou de paralelepípedo?
Colocar palavrões em versos é exibir
Uma espontaneidade vaidosa?