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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

CLAMOR TAMBORILANTE

Alimentam o poder deste tempo

Bocas como metralhadoras

Derrubando a pomba desnuda

No museu,

O sangue traçando na vidraça

Das mentes um desenho esquecido.

Não ouvem o clamor

Da chuva vida,

Pedindo o encontro

Tamborilante.

À BEIRA

À beira do verbo
Isolado e lúcido,
E depois criando
Com o semibreve
Corpo 
Uma música
Na alma-do-gesto

À beira do verbo
escorregadio,
se distraiu e sofreu
sua queda final,
sendo levado
num remoinho
de linguagem
pra sempre

PSA

A noite vem, sangue, vaso estelar,

Cobrindo a bexiga de transparências escuras.

A noite, encoberta de almas sem lua,

Navega por acres oceanos de cera vítrea.

A noite não é tão poética às vezes,

E assassina sonhos caros, corujas nos olhos.

A noite boceja enquanto mira o exame,

Que marca nível de P-oe-S-i-A normal.

Condenado às linhas mais um pouco.

sábado, 4 de novembro de 2017

ROER IRREAL

Em periferias do ser,
Roer irreal ilusão,
Derruindo os laços
Com os violões,
Naquele canto.
Dessangrando o susto,
Seu fechado mito,
Ribombando as cordas,
Semeando músicas,
Sons com claras
Batidas amanteigadas
Nas peles com taras,
Naquele tango.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

MINHA E

A escrita 
em que concentro
não sei se é dentro 
ou de fora,
se flui inconstante,
ou se pára,
indo embora.

Em alguns minutos,
o lábio do universo
nos soprará, um autor
sempre a versar do nada.

ODOR NÃOMESQUECENTE

Miosótis, molhando 
os cabelos na chuva,
Seus minúsculos grãos 

azuis de celeste beleza,
Pingos a dançar virgens

entre brisas flutuantes.
Mulher malemolente 

de sono e choro.
Lágrima nãomesquecente.

FIM DO FORA

De versos em crise 
a casa que eu me fiz

Ritmo infinito
por dentro de cabriolas finitas

De ruínas a casa triste que eu me fiz


Por dentro o ser chegando à mesa


No fim do fora a rachar o que não quis