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sábado, 20 de outubro de 2018

DIA DOS ANJOS

Anjos soltos fumam nas vielas
O odor imutável das praças sem flor,

Baionetas se aprontam, cansaço nos colos,
Nos bairros centrais beirais sanguinários,
Pombas alto gritam sem saber as balas

Entre peles duras, o toque insensível
Reflete a ausência de falas doces,

É assim que tremem no túmulo das almas
As dores inconfessas, assoam os anjos
Nas asas o catarro dos corpos,

E enrolam na sarjeta amores com gasolina.

terça-feira, 29 de maio de 2018

SOQUEI

Não sonhe com o que virá.
Don't jump - me dizia.
Não pule - me implorava.
Você perderá . Não saia.
E o próximo som bloqueie.
Não passe da esfera!

Capins nas minhas palavras,
Ervas daninhas crescendo,
Cupins nas mais altas,
Mas falo pra essa merda
De futuro que bate na porta
Enfeitado com pólvora...

Não pule - se conforme.
Não nasça - todos vão olhar.
Você é tão lindo sugando.
Fique quieto - gritava.

Um fedor nas letras
Cansadas de cortar ouvidos,
Um sol artificial de diclofenaco
Massageando a ponta do fêmur
Da frase

Então, decidi: soquei 
Soquei o osso que gritava
No centro cerebral,
Desfigurei a linguagem
E pulei minha música
Para ouvir a outra
Que nem nasceu ainda....

NOSSO SIGNO

Metralhamos a carne das palavras e ela estrebucha, as balas quase
Nos órgãos vitais da alma. Vai endurecendo devagar,
Nem as almas dos vermes ligam. AS ALMAS fodam-se DELES.

sábado, 26 de maio de 2018

MÃOS CEGADAS

E agora? Como podem trabalhar,
Mãos infames pelo hábito de delatar

O barro da pele?

Há febre e inaptidão para limpos gestos.
Se apenas se roçassem c
omo patas de moscas?
Mas delatam o barro do cu.

No ventre do mundo, mãos
Que sejam apenas mãos são raras.
O limpo da expressão "sanguíneo amor"
Fura o bom mocismo do cego édipo.


Os jornais mostram estatísticas
Onde mãos são cegadas, cagadas 

Pelos pingos do Sistema.

FERDINAND DE SAUSSURRE

- Sal, por favor, sussurre...Ferd,
Não me mostre a língua, urre !!!

Aqui o signo ao trato poético-in.
Vou lamber g(r)elo dos fatos.
(Assim, nasceu meu interesse no tom
Epistemo(i)lógico.)

segunda-feira, 7 de maio de 2018

O SENSITIVO POEMA

No teu corpo transitivo tua alma inenarrável, Lúcia, simulando o infinito num finito apalavrável. Antes e após a escrita, há um espaço que chora por nunca adentrar o dentro de ti. E na testa em que te escrevo o que foi de ódios, amores, derramam em tintas, mãos e trejeitos. Todos os átomos sambam signos nos eixos em caminho para a alma. Louvores à tua alma de mulher e mãe, enchamecida por trás de sofrido corpo que dedilha o ser do todo disto aqui, despertando criações do começo do mundo.

O IMPORTANTE É O CAMINHO

Vemos o passar dos postes
da janela deste ins(TRAIN)te

...
Ser um homem é ser trajeto
entre seu chão e talante
...
Sem caminho é desfeito
o objeto e o sujeito
...
Voando, a nave finita
não pode estacar durante
..
Sem estrada, cada pé
raiz no pó sim
...
Vemos o passar dos postes
da janela deste fim
...
É a trajetividade a busca sem mais verdades
do que está sem ser ante verdades que

não existem senão enquanto palavras