Pular para o conteúdo principal

Postagens

COM AS MÃOS

Com as mãos, pega a farinha da alma para a massa da poesia e depois faz uns bolinhos bem compactos para que quando atinjam a nuca da musa principal o resultado seja visível para todos que se atrevam a ver o seu texto nu (ah! tudo isso de virilha acesa!).

RESTOS DE OFÉLIA

Arruma as algas, Ofélia, Após morte voluntária. Ajeita a gravata nos chorões. O espelho do lago reflete suas mãos em concha libertando pérolas de orvalho, Preocupada, a certeza do sol, Com a mão, percorre o corpo inflado, Leva as mãos nos sapos, peixes, O lago-leito, seu grande mar aberto. Como enguia, faz uma ponte, seu umbigo no ponto mais elevado, a pele esticada, unindo os átomos das águas, cabelos-algas. Ela não ressuscita, e, mesmo assim, sente-se no direito de ser sagrada. Explora o resto de pensar no amor que esqueceu em superfícies. Abre as linhas, entre miniaturas de ninfas, Que lavam o lago, Um leve vento revolve o caminho de algas reais amarelas e vemos o algoz. Hamlet nem aí. Aguarda a perícia Com marcas de caveira na consciência.

VOCÊ TEM HONRADEZ

Você tem honradez? Batizo uma mosca de honradez. Uma mosca tem seu próprio conteúdo, Um ser humano tem conteúdo mental com falhas. Um ser humano mata milhões de uma vez só. Uma mosca.....mosca "estro"..... . Você faz tratos, contratos, em troca de algo. Você dorme com tranquilidade. Você e eu. Já temos a pena que não nos compete. Vivemos 60, 50, 40....mas 70 é pouco também. Com 50 temos saudade do antes do corpo decair mais rápido. Honradez : ter justiça, seja: fazer jus. A seu tempo sobre a terra. O outro lhe interessa ? Contratos Tratos lhe distanciam De algo que humaniza. E lhe aproxima do espírito das guerras, Eu nonada non adan. Em cima da mesa, Duas moscas amam trepam morrem (Há um quê de Hades na trepada).

APUNHALAR O PUNHAL

apunhalar o punhal, acalmar o cenho, disparar o labio do eu, embora os perseguidores do sistema, fanáticos de conflito, porcos sem fábula de maçãs na moldura da boca, reviver o azul da relva, embora a pólvora do presente com sua explosão cinza, e brincar de soprar fagulhas de rebeliões no papel, osso doce

VENCER-SE

Reitero-me Pra tentar em redemoinhos E assim ressignificar-me Na Arte de novo e de novo, Como fauno à tarde sempre A seguir as obras possíveis, E vou ao fígado do mundo, Amargo, ao sabor doce Das ondas, Reitero-me e Corrijo-me entre as folhas amarelas Que caem no lago, no ego

ARAKEVE NUNCA MAIS

VERSÃO sexta-feira, 3 de março de 2017 ...ARAKA’AEVE NUNCA MAIS, inspirado em poema de Edgard Allan Poe - The Raven (O CORVO) e em Eros e Psiquê, de Fernando Pessoa ...Meia-noite? Não sei bem, era horário de verão. Folheava um livro raro, letra barroca e fininha. Meu corpo todo doído debruçava sobre a mesa. “Ouvi o som do interfone?” Estiquei-me. Dor na espinha. “Quem toca meu interfone?” Logo atiça a dor na espinha. Quem vem com seu nhenhenhém?”. Foi no início de setembro. Meu aniversário, eu lembro. Não paguei a luz. Velavam velas várias na cozinha. Esperava o sol, o dia. E a noite me tragava, A leitura me enjoava, só lembrava de Amelinha Ancorado no cais longo da memória...Amelinha !!! “Quem vem com o seu nhenhenhém?” A cortina na vidraça balançava, para horror Desta herdada arritmia que ao peito desavinha. Ouvi de novo o interfone por vagarosos segundos... “É cliente atrasada??? A fofura da vizinha? Como puxa meus lençóis! Ela é uma vizinha Bem versad...

ANTIGO NA CHUVA

A chuva no sonho máximo de alisar coisas secas pouca vergonha usa no se exibir molhada, cai vertical, nua das nuvens principais, fragmenta o agregado princípio, enquanto percorro o bigode  como um ser antigo, o sonho de folhas ao vento com a guerra ao norte  ... E começo a estender a arma eficaz - a toalha do pensar com estratégia densa, onde golpes anencéfalos esquecidos há anos aparecem do nada  e se servem dando ordem unida  na frágil luz do teatro